domingo, julho 25

Caleidoscópio de saudades.

Na minha mão um caleidoscópio.
Nele mergulho o meu tempo parado, o meu espaço apertado bem junto do coração.
E bem lá no fundo se desenha o momento de me rever.
Saudades... palavra montada de peças brilhantes e irrequietas que giram e se transformam de novo em saudades.
De mil formas, de mil cheiros e de mil sons.
Saudades que fazem cócegas, nos inquietam, nos deixam a fugir para trás. Saudades que se procuram fechar no tempo com a presença de sorrisos, de risos e abraços apertados.
Mais à esquerda, saudades doces e serenas, feitas de pedaços de algodão e momentos de te dar a mão e o colo. Saudades em contagem decrescente para te rever e me deixar ficar no encosto do cheirinho a mar.
E na reviravolta, as saudades de espaço, de tempo, de areia e beira mar. Saudades do tempo que se aproxima, como uma revisão do tempo que já foi. Saudades aos pulos, na expectativa de poder apenas estar.
Respiro. E na volta das peças brilhantes que mudam o mundo... saudades. Agora fortes, marcadas. Saudades sem espaço, saudades sem ar. Saudades que se transformam em ausência e deixam a angústia apertar o coração. Saudades imensas que me fazem sentir pequena. E no fundo do caleidoscópio, agora, apenas essa palavra que queima e encurrala a serenidade. Saudades de ti.

domingo, junho 13

13 de Junho 1993 - 13 de Junho 2010



A Catarina faz hoje 17 anos. A Maria tem 11. Um dia fiz este filme para as duas e hoje acho que fica aqui bem. Para "espantar-espíritos"... e deixar crescer.

sábado, junho 12

quinta-feira, junho 10

Lisboa Lilás

Deve ser da idade mas nunca o florir dos Jacarandás me marcou como este ano.


Maio é  lilás em Lisboa. Lisboa fica lilás em Maio.
O olhar percorre a avenida que se preenche de cor.
Entre o verde que espreita o lilás ou no lilás se vislumbra o verde.
E na mistura se faz a magia.
Lilás em forma de céu.
Lilás em jeito de chuva.
Cor trazida pelo vento.
Caminho transformado em sonho.
E ao fundo o rio, qual espelho de Lisboa mágica
E eu, descendo a avenida a pensar que as fadas existem
nesta cidade linda!










quarta-feira, maio 12

Manhã

Em 12 de Abril do ano de 2010 a vida revirou-se. Diria mesmo “re-vidou-se”. Numa manhã igual a mil outras o anúncio caiu-me no colo e deixou-me perdida. “O pai, minha querida. O pai morreu.” Sem mais. As palavras mais assustadoras e incríveis (mesmo de não querer crer nelas…) que me foram ditas até hoje. Já estivera antes perto desse medo fundo que é o de perder alguém que nos é querido. Mas nesse dia as palavras não tinham esperança e não tinha motivo para ir em frente e lutar. E então, restou-me ficar ali. Sem reacção. A princípio a perguntar-me mil vezes se tinha ouvido bem, a perguntar porquê e como. A gritar bem fundo a pergunta que de nada serve: “porquê?”. Depois, faltou-me o ar, pensei em correr e em fugir. E senti-me fugir de mim mesma, pois não havia para onde ir. E o ar a rarear e a garganta a fechar-se num nó cego. E a pergunta injusta: “porquê?”
Há momentos em que nos perdemos do mundo. Claramente. E a sensação de perda é tão intensa e tão evidente que só do fundo de algo -  que me pareceu ser a consciência, a razão evidente da necessidade – veio a reacção fria e cortante. “Respira, precisas de respirar…” Por favor deixa-me respirar,. Não chores, não digas mais, não repitas e não me acarinhes. Deixa-me só respirar.”

E depois, depois de conseguir que o ar me deixe viva, a queda. Como que um peso invisível nos ombros e a necessidade imperiosa de me sentar no chão e chorar. Não, não foi tristeza, foi um sentimento sem nome que me deixou mais que vazia. Um sentir assim de impossibilidade que me deixou perto da terra e da segurança de que não iria voar…

E o tempo a passar nos momentos de ir despertando. Num torpor de reagir porque sim. Nas mãos de segurar os outros. Na certeza de que assim me seguraria. E as palavras que têm de ser ditas vezes sem conta. E as respostas, sempre iguais e incrédulas como a minha própria incredulidade. E o olhar em volta à procura de espaço para existir. À procura de ser útil para me sentir viva. E o nó a apertar e eu a atirá-lo para longe de mim…

12 de Abril - 12 de Maio

O Ouvidor do Kimbo

segunda-feira, maio 10

Riscos no céu

Por detrás da nuvem e do cinzento do céu, há azul.
E no meu olhar há traços que aí se desenham.
Linhas e riscos brancos que se cruzam e dançam
no balançar do ritmo apertado do coração e da saudade.
Devagar... no moldar do rosto que guardo dentro,
da presença que me segura.
riscos que se esfumam para rapidamente se tornarem espaço azul
e de novo se desenharem em novas formas que tento nomear.
Aos poucos sei que os riscos no céu, são a minha lembrança,
são os momentos que quero eternos.
Fugaz arquitectura e efémera construção,
o céu assim azul riscado de branco traz-me um pouco de ti.

Seguidores