segunda-feira, maio 10

Riscos no céu

Por detrás da nuvem e do cinzento do céu, há azul.
E no meu olhar há traços que aí se desenham.
Linhas e riscos brancos que se cruzam e dançam
no balançar do ritmo apertado do coração e da saudade.
Devagar... no moldar do rosto que guardo dentro,
da presença que me segura.
riscos que se esfumam para rapidamente se tornarem espaço azul
e de novo se desenharem em novas formas que tento nomear.
Aos poucos sei que os riscos no céu, são a minha lembrança,
são os momentos que quero eternos.
Fugaz arquitectura e efémera construção,
o céu assim azul riscado de branco traz-me um pouco de ti.

quarta-feira, maio 5

Caminho.

Custa caminhar sem ouvir a tua voz. 
Custa deixar a pergunta no ar e escutar fundo a tua sabedoria
Custa olhar o espaço sem forma presente e sentir a brisa do tempo a empurrar-me.
Custa não encontrar o ninho onde pousar a minha cabeça e tentar respirar fundo a tua presença. 
De alguma forma nos perdemos quando perdemos alguém.
E depois, caminhamos incertos, na dúvida de uma lembrança eterna ou de um desejo imenso.
Há umas noites acordei de mão dada com o espaço entre mim e o lençol. Na minha mão guardei, todo o dia, a sensação do teu carinho, da tua presença.
E se a serenidade dessa crença me envolve e de me devolve à vida, custa muito não ouvir a tua voz.  



sábado, abril 24

Mil e dez... 1010!

Não reparei nas 1000. Talvez estivesse longe ou distraída. Mas hoje olhei e dei conta das mil e dez.
Muito mais bonito este número. 1010. De novo as capícuas. 
O B R I G A D A. 

Blogue do dia

Utilizando a ideia do meu amigo João Marchante no seu blog "Eternas Saudades do Futuro":
O Ouvidor do Kimbo

quinta-feira, abril 15

terça-feira, abril 13

Pai Nosso. Meu pai.

O nosso pai gostava de escrever.
Em minha casa temos o hábito de lidar com os momentos difíceis, jogando.
Porque a escrita se faz de palavras, porque este é um momento difícil e porque jogar ajuda a gerir a dor, hoje jogo com palavras.
Deixei uma com o meu pai há algumas horas. Para que a leve e com ela escreva para sempre.
Com ele ficou a palavra MÃO. A mão com que nos acarinhou, nos segurou e empurrou na vida. A mão com que nos guardará sempre. As mãos com que o seguraremos, eternamente, junto ao coração.

A todos que o conheceram e se houver palavras que queiram entregar-lhe, façam-no e a sua escrita enriquecerá. Bem hajam por me terem segurado neste momento. 

domingo, abril 11

Momento Guardado



Se a vida me embalasse sempre, 


se o céu estivesse ao alcance fácil do olhar

se no cruzamento dos fios pudesse espreitar o caminho

e saber, sem dúvida onde pôr os pés.

Se, quando me escondo renascesse,
se o silêncio e a sombra me segredassem a certeza
e a luz serena de Abril me levasse na brisa morna da tarde.

Se o efeito da penumbra não enganasse a vista e o meu olhar
se aqui fosse o momento de me encontrar...

Se a vida congelasse neste preciso momento de tranquilidade

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