quarta-feira, setembro 18


As memórias vão sempre habitar este baloiço e este baloiço será sempre memória. 
Porque o espaço só tem vida quando a vida o conquistou. 
Porque o coração tem bolsos onde se guardam os retratos. 
Porque o tempo é só uma linha que se enrola num novelo e guarda numa mão fechada. Porque, enquanto existirem contadores de histórias ninguém morre. 
Porque cada peça que leva novo destino leva consigo a história de mil vidas. 
Porque assim se guardam para sempre as pessoas, os sorrisos, os lamentos e desalentos. Este espaço vai ficar nas memórias de muitas crianças que são hoje crescidas e nas memórias daqueles que nunca aqui se baloiçaram. 
Porque nada morre enquanto existirem contadores de histórias.

segunda-feira, maio 15

Colateral Beauty - Beleza Colateral


Tão divino, quanto simples este filme.

Amor, Tempo e Morte. Aquilo que nos une como seres humanos. "Todos desejamos ser amados, todos queremos ter mais tempo e tememos a morte". Nada mais certo. Um filme que nos deixa a pensar em como escondemos o nosso sofrimento e nos defendemos da tristeza. De como evitamos olhar o olhar perdido de alguém, ou ouvir as suas inquietações. De como nos movemos para longe e nos escapamos ao que nos faz sofrer. De como somos capazes de viver sem viver.

E depois, numa incrível simplicidade, um filme que nos deixa a pensar que o que acontece no sofrimento é também uma fuga à "beleza colateral" do sofrimento. Como pode haver beleza na morte, ou na falta de tempo para o que sonhamos ou na ausência do sentimento de ser amado? Como pode existir beleza nas perdas, nas desilusões, na frustração?

Fabulosa a maneira como nos leva a descobrir esta verdade que esquecemos sempre. A beleza colateral da perda, a descoberta de que a "cura" se faz tratando do sofrimento e o caminho se faz descobrindo que há um ganho ali à nossa espera, só à espera de ser descoberto. Quanta beleza nos escapa quando fugimos ao sofrimento...

A saudade da morte que tráz a beleza de recordar e de dar espaço a novas ligações; a beleza da perda que trás espaço para novas aprendizagens; a beleza da desilusão que nos deixa espaço para procurar novos sonhos e a experiência - das perdas, do desamor e da falta de tempo - a beleza de estarmos ligados aos outros e podermos continuar. 

A ver. As vezes que forem necessárias.


quarta-feira, fevereiro 1

TEMPO



Não há prisão para ti. 
Com um dom de magia te escapas entre traços que marcam o ritmo,
Te esfumas entre batidas de coração,
Desaguas entre as somas de tempo que só sabe diminuir.
E, em cada avanço, marcas o ritmo sem retorno; fechas imagens no coração, embalas odores, adornas palavras e deixas nas minhas mãos histórias
Queria guardar-te no infinito do que foi bom e deixar sair apenas o que magoa.
Mas contigo não é possível.
Tenho de ir, tal como vais !


domingo, março 13

Momentos



Há momentos que são eternos. 
Daquela eternidade que se faz de paixão, de dedicação e de sincronia. 
O nosso caminho tem sido assim. Uma paixão grande como o desejo, uma dedicação em cada canto, círculo, galope; a sincronia de duas vidas que jamais se desligarão. Quem se atrever a duvidar do vínculo não estará atento aos detalhes. 
Não terei nunca as palavras certas para deixar legado válido sobre os nossos caminhos. Quem não se apaixona, não sabe do que falo. Tens sido o meu chão que voa; o meu suporte que se inquieta ao menor som, o desafio dos meus limites e o espelho das conquistas. Contigo sou diferente, sou mais que eu mesma. O que me deste, transformei em empenho para te sossegar, em esforço para te fortalecer. 
Em cada passo mais perto do sonho. One step closer. 
Perto de sermos, para sempre Eu e Tu. 
Obrigada Picolino. 

domingo, julho 12

A vida fazemo-la nós.

A vida fazemo-la nós. Em cada passo tornamos a experiência nossa. Não é a vida que se encarrega de nos mostrar o caminho. Somos nós que o trilhamos, nas escolhas que fazemos. Há escolhas muito duras. Mas são as escolhas necessárias para que os piores momentos não invadam a paz que precisamos para continuar a seguir em frente. É na capacidade que vamos tendo de olhar o que lá está ao invés do que não está que a serenidade se instala e permite a perda. E deste modo não se perde. A vida transforma-se em recordações. E as recordações preenchem a vida que passou e dão espaço ao futuro. Por vezes é preciso perder muito para ganhar um rumo. Há escolhas muitos duras mas necessárias. 

quinta-feira, junho 7

domingo, abril 8

Equinócio da Primavera

20 Março, hoje, 5h14.

Dia e noite iguais

Entrada na Primavera

Saída do Inverno

Diz-se...

Mas...

Como vai embora quem não chegou?

Como chega alguém que não partiu?

Como se transita, se muda, num espaço de mistura?

Como se espera o que já veio?

Como nos despedimos do que não tivémos?

E...

Como se gere a inquietação de não sentir a mudança

tão habitualmente esperada e gradualmente visivel?

Como deixamos ir o que não fomos sentindo

ou aquilo que não foi efectivo ou intenso o suficiente para querer dizer adeus?

Pois...

Chegou a Primavera... diz o calendário.

Vai-se o Inverno, diz que sim.

Mas aquilo que acredito é que o Inverno e a Primavera estão apaixonados...

ela foi chegando só para estar perto dele

e agora ele vai ficando para não sentir saudades dela...

E vamos, nós, comuns mortais, ter os dois perto, misturados, brincando com as transições seculares que regulam a nossa vida!

A paixão tem destas coisas...

quinta-feira, fevereiro 2

Ana & a palavra Sabedoria

Sabedoria – palavra que vem do Latim SAPERE, “saber, sentir o gosto de”


A Sabedoria é a nossa maior construção pessoal. Há dias em que não duvido.



Sabedoria….

Doce sabor de saber que a vida se faz dos momentos.

Terno sentir por nos construirmos nas mãos do tempo.

Sabor feito e refeito nos espaços que ficam entre pensamentos e acções.

Sentir percebido na distância que une os passos no caminho de cada um.

Sabedoria é magia.

Que se saboreia só por existir.

Que se sente quando se constrói.

Mágico é conseguir a sabedoria.

Sabedoria é saber que o desequilíbrio é apenas um momento de inicio,

Que a dor abre espaço para a serenidade,

Que a saudade se preenche,

Que as recordações são o chão do futuro.

Sabedoria é a possibilidade de sentir o gosto, o cheiro, a luminosidade, o toque.

Onde quer que esteja a sensibilidade da nossa existência.

Sabedoria é constatação, paz, tranquilidade.

É um momento, fugaz que se esfuma na direcção de outro e deixa no ar essa incerteza.

Serei um dia sábio?

Ana & Darwin

“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent that survives. It is the one that is the most adaptable to change.” - Charles Darwin

Uma das mninhas figuras da história do Homem, do Mundo e da Vida. Que me faz pensar que a Sabedoria é a nossa maior construção pessoal.

terça-feira, janeiro 24

Ana & Picolino


A vida fica sempre para além do real.

E garantidamente é na linha que reune os nossos olhares que vamos encontrar o que nos preenche.

Nesta cumplicidade sem consciência em que o movimento e os corpos se moldam no mesmo desejo de entender e procurar.

Não há como estar e sentir. E assim seguir em frente, lado a lado, mesmo quando assim não é.

E dizer-te pela presença do estar que há caminhos que se cruzam e não descruzam mais, que há linhas que se enlaçam e que prendem o teu olhar no meu.

E poder estar perto e sentir o teu calor e dar-te a mão, tocando o teu receio, a tua inquietação com a presença do mundo.

Deixa que esta cumplicidade se solte, deixa que o teu receio se desvaneça e as linhas que procuramos se suportem.

E assim que os trilhos permaneçam.



segunda-feira, outubro 3

O João Miguel fez 4 anos

O meu sobrinho mais novo fez 4 anos. No regresso da festa lembrei-me deste texto que escrevi no verão de 2009. E aqui fica especialmente como uma homenagem aos meus pais que deixaram em nós a marca de ser uma família grande e uma grande família. Parabéns, João.


A propósito da felicidade de pertencer a uma família grande e a uma grande família. A propósito também da necessidade de termos quem nos sonhe na vida, quem nos projecte no futuro e quem, assim, nos guie nos afectos e nos desejos.

Este texto, escrevi-o numa tarde de Agosto, em férias familiares. Surgiu como relato de uma conversa no final da refeição. Uma daquelas conversas que só é possível ter no seio de uma família grande, que demora à mesa e tira prazer de falar enquanto se come. Uma conversa, só possível no seio de uma grande família em que existe o hábito da partilha.

Esta conversa fez-me pensar o quanto é importante para uma criança, poder encontrar um espaço onde alguém a sonhe no futuro. Desde mesmo antes de nascer. A ideia de vida futura, criada por alguém significativo e oferecida a alguém com significado é um dom inigualável. Destas projecções, desejos e sonhos, nasce o caminho que cada um de nós seguirá (mesmo que não seja realmente igual ao pensado). Sem desejo, projecção ou sonho, as crianças não encontram um espaço onde se revejam, onde se observem, onde possam medir as suas acções e ter ecos dos seus pensamentos.

Na vida de cada criança, o papel dos adultos de referência é emprestar-lhes os seus pensamentos, os seus sentimentos e os seus desejos de futuro. Para que elas possam criar o seu próprio pensamento, sentimento e desejo de crescer. Os adultos são os "ecos" que não repetem, os espelhos que devolvem imagens diferentes e que assim transformam sinais em vida partilhada

"À volta da mesa, depois do almoço. Somos muitos: grandes (uns adultos e outros a caminho disso), médios, pequenos e bebés (sim, também conversam…). Fala-se do futuro. Futuro imaginado, desejado para cada um deles. Desejado por nós, os grandes já adultos, que os olhamos daqui do futuro que é o deles. Eles (todos), entrando na conversa. Animados com a ideia de ter um futuro desejado por alguém. E como é importante ter quem deseje um futuro para nós e nos projecte, qual foguetão, numa ida e vinda rápida ao mesmo. Os futuros estão ali, em volta da mesa, nos risos trocistas e nos olhos brilhantes que dizem: “E se pudesse ser verdade?”. Mil futuros que se coordenam, se encontram lá para a frente no tempo e se transformam em histórias de poder continuar juntos. E assim se tecem desejos.

O futebolista, imaginado a partir dos fabulosos pontapés que dá numa bola minúscula, com o seu pé pequeno e gorducho de bebé de ano e meio; o alpinista, assim imaginado porque se passam tardes inteiras a apanhá-lo suspenso no ar ao subir (ou melhor, descer) as rochas da praia; o médico, profissão que saltou uma geração, e se deposita naquele que achamos tender para as notas brilhantes; o surfista profissional, apresentador de um programa desportivo e secundado pela artística fotografia da prima mais velha; o político, para aquele que ainda não se revelou bem para além de ser um exímio falador aos dois anos; o gestor para o jogador ímpar de entre todos; um lugar, algures na comissão europeia, para a catraia que gosta de mandar; o advogado, porque toda a família precisa de um e tem de ser um que siga as pisadas dos pais; a pintora, agora a mais sensível e futura criadora de ilusões em tinta; o cantor, não porque cante no presente, mas porque nos enche a alma (e o cérebro) a chamar pelo pai; o “chef de cuisine” para o menino sonhador cuja sensibilidade nos encherá a vida de aromas e sabores e finalmente, mas não por fim, a escritora, que tanto brinca com as palavras, a atribuição da responsabilidade de as escolher, certas e certeiras e por no papel histórias de cada um e todos nós.

Conversas. Felizes. Daquelas que se têm com quem gosta de conversar. E como são importantes os sonhos partilhados. E como é importante ter quem sonhe para nós e ter com quem sonhar o futuro."

Obrigada: Catarina (fotografa), Henrique (surfista), Gonçalo (médico), Maria (escritora), Mateus (gestor), Afonso (advogado), Mariana (pintora), Rita (comissão europeia), Vasco (”chef- de-cuisine”), Francisco (cantor), Duarte (político), Miguel (alpinista) e João Miguel (futebolista) por existirem na minha vida.

terça-feira, setembro 27

Assim...


Ilustração de João Rodrigues

quarta-feira, agosto 24

Hoje


Mesmo escrevendo, há coisas que um espanta-espíritos não é capaz de levar para longe.
E assim, ficam em nós. Guardadas.

sexta-feira, junho 24

domingo, abril 3

Dúvida


Quanta distância cabe num espaço de poucos centímetros?

segunda-feira, março 28

Instantâneo Instante

Instante.
Visão fulminante da vida
Vida espelhada na areia
Momentos ternos, vibrantes da minha história

Instante.
Guardado na imagem
que me transporta, me guia e me devolve um pouco de mim

Num gesto só

Num gesto te aproximas

Te aninhas e me aninho no teu calor

Num gesto

Te inquietas e agitas

Te afastas e te perco


Num gesto

Estamos perto

Pele e pelo

E deixo que recebas o meu cansaço, a minha inquietação

E, generoso, me concedes esse olhar brilhante e incerto.

Num gesto apenas, fico livre e tu preso no meu gesto de te prender.


sábado, março 5

Um recanto na minha vida.

Em ti guardo um recanto da minha vida,

um segredo de distância,

uma enseada de paz.

um murmúrio de impossibilidade.

E no teu sorriso franco fica a brisa que te envio.

E na cumplicidade do segundo

Luz a certeza de que este recanto existe mas que há esquinas que não se dobram.

Porque quando se arruma se descobre a vida.

Hoje foi dia de arrumações cá em casa. Há alturas em que me dá para isto... espalhei mil desenhos pelo chão e decididamente tentei escolher aqueles que ficariam guardados, qual album de vida. Desenhos de uma e desenhos de outra... Tantos!!!... Um a um, as cores, as figuras, as datas, as histórias, deixam-nos nas mãos a nossa própria vida, os nossos momentos. Contam histórias, deixam-nos rever a nós mesmos e reconhecer a continuidade que a vida tem e também a mudança que faz em nós. Havia desenhos de tudo... delas mesmas, da família, dos amigos, das fantasias e sonhos... desenhos de nada e desenhos que só as mentes das duas sabem porque sairam para o papel. Alguns desenhos tinham notícias. que, qual pedaços de vida, nos lembraram mil coisas que fizémos juntos. Um deles tinha uma notícia verdadeiramente importante que partilho convosco, porque me parece que resume a verdadeira importância da vida. A notícia, deu-a a Catarina, aos 4 anos na escola: "Hoje a minha mãe viu um lagarto verdadeiro"!. Querem notícia mais importante do que esta?

sexta-feira, fevereiro 11

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